Vento
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Formação e leis do vento

O vento é o ar em movimento. Quando uma região da superfície terrestre é aquecida sob a influência dos raios solares, a radiação do calor provoca o aquecimento do ar que, em consequência, se torna menos denso e sobe para as camadas superiores. Quer dizer, sobre a região considerada forma-se uma zona de baixa pressão atmosférica, afluindo aí o ar das regiões vizinhas mais frias, onde a pressão é mais elevada. Assim se originam os ventos à superfície da terra. Pode, pois, enunciar-se  a lei geral dos ventos:

O vento sopra dos centros de alta pressão para os centros de baixa pressão

Se não fosse o movimento de rotação da Terra, o vento sopraria directamente dos centros de alta para os centros de baixa pressão. No entanto, devido ao movimento de rotação da Terra, os ventos são desviados para a direita no hemisfério norte e para a esquerda no hemisfério sul (Fig. 1). Daqui resulta a lei de Buys-Ballot:

Lei de Buys-Ballot. - No hemisfério norte, os ventos giram no sentido inverso ao do movimento dos ponteiros do relógio em volta dos centros de baixa pressão, e em sentido directo em volta dos centros de alta pressão. No hemisfério sul sucede o contrário.

A lei de Buys-Ballot pode enunciar-se de outro modo:

Voltando a cara contra o vento, a baixa barométrica fica à direita no hemisfério norte e à esquerda no hemisfério sul. INÍCIO

Ciclones e anticiclones. - Em metereologia, o conjunto dos ventos em torno de um centro de baixa pressão toma a designação de sistema ciclónico de ventos ou, simplesmente, ciclone; em volta de um centro de alta pressão chama-se anticiclone.

A representação gráfica dos ciclones e anticiclones faz-se por meio de isóbaras, ou linhas que unem os pontos da superfície da terra de igual pressão barométrica no mesmo instante. Em geral, as isóbaras são traçadas de 5 em 5 milibares nas cartas metereológicas. (A pressão barométrica pode ser expressa em milímetros de altura da coluna de mercúrio ou em unidades de pressão - bar ou milibar. A relação entre o milibar e o milímetro barométrico é pràcticamente: 1 milibar = 0,75 milímetros). INÍCIO

Sem vento, não há Windsurf!

O vento, na água, pode ser a melhor ou a pior das coisas.

Nós não dominamos a natureza, portanto é melhor actuarmos com prudência, aproveitar e vento e... parar a tempo.

Os boletins meteorológicos todos os dias dão indicações sobre o estado do tempo incluindo informações sobre o vento.

Fig. 1 - Representação gráfica dos ciclones e anticiclones. As curvas fechadas são as isóbaras e as setas representam os vento

Os ventos não são bem tangentes às isóbaras, formando com elas ângulos de 20º a 30º para o lado do centro de baixa pressão. No anticiclone, o ângulo dos ventos com as isóbaras é geralmente maior e sempre para o lado de fora do centro.

Em regra os sistemas ciclónicos de ventos movem-se rápidamente e são acompanhados por mau tempo, ao passo que os sistemas anticiclónicos caminham vagarosamente e, em geral, dão bom tempo.

Gradiente barométrico - A força do vento não é em função da pressão barométrica num lugar, mas sim da diferença de pressões entre dois lugares e da distância entre eles. Para avaliar a perturbação barométrica, adoptam os metereologistas o gradiente barométrico, que é a diferença de pressões, em milímetros ou em milibares, medida perpendicularmente às isóbaras e correspondente à distância de 60 milhas. INÍCIO

Maré barométrica - Em ocasiões de bom tempo, a pressão atmosférica oscila de um modo regular entre um máximo e um mínimo em cada período de 12 horas. O barómetro sobe desde as 04 às 10 horas e desce das 10 às 16 horas; torna a subir desde as 16 às 22, para baixar das 22 às 04 horas.

Esta variação - maré barométrica - é bem definida e regular nos trópicos mas imperceptível nas altas latitudes. As maoires marés barométricas verificam-se no equador, onde a amplitude atinge 3 milibares. Em portugal regula por 1,2 milibares.

Quando nos trópicos a maré barométrica não ocorre regularmente às horas próprias, é sinal que o tempo vai mudar. INÍCIO

Direcção e força do vento - Os ventos designam-se pela direcção de onde sopram. Assim, o vento Norte vem de norte para sul; o vento Sul sopra de sul para norte.

A força do vento é a pressão que ele exerce sobre a unidade de superfície. Porém, em vez de se medir a força, mede-se a velocidade, ou seja a distância que o ar percorre na unidade de tempo.

A velocidade do vento é expressa em metros por segundo ou em quilómetros por hora ( 1m/s = 3,6km/h). A bordo também se adopta a velocidade do vento em nós ou milhas marítimas por hora ( 1 m/s = 1,94 milhas/h).

Para designar a força do vento adopta-se a escala internacional de Beaufort, em números de 0 a 12. INÍCIO

A bordo, estando o navio em marcha, o vento observado é o vento aparente ou relativo, que resulta do vento verdadeiro e do movimento do navio.

O que interessa conhecer é o vento verdadeiro ou absoluto, que se avalia geralmente pela observação da superfície do mar. De facto, havendo uma certa prática, o aspecto do mar e a orientação da carneirada permitem avaliar com suficiente aproximação a direcção e a força do vento.

A determinação do vento absoluto pode ainda fazer-se em função do vento relativo e do movimento do navio, construindo o triângulo das velocidades (Fig.2) INÍCIO

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Fig. 2 - Triângulo das velocidades

No caso particular de o vento soprar enfiado com a proa ou a popa, o vento verdadeiro obtém-se subtraindo ou somando ao vento aparente a velocidade do navio. Quando a bordo

não se sente vento, é porque o vento absoluto está da popa com velocidade igual à do navio.

Convém notar que o processo do triângulo das velocidades só deve ser adoptado quando haja confiança na avaliação da força do vento aparente, pois, uma pequena diferença pode, em certos casos, originar erros importantes na determinação do vento verdadeiro. A direcção do vento aparente não é difícil, observando o catavento ou o fumo da chaminé (no caso das embarcações ligeiras um mini catavento no topo do mastro principal), ou melhor ainda, orientando a cara ao vento até se sentir igual efeito em ambas as orelhas. O que se torna difícil é a apreciação da velocidade quando não há anemómetro, pois só com bastante prática será possível fazer uma boa estima do vento aparente.

Como tínhamos falado, os ventos são graduados em forças de 1 a 12, da calma ao furacão. Esta graduação foi realizada por um Almirante Inglês, Sir Francis Beaufort, daí chamar-se escala de Beaufort.

Esta escala pode ser analisada na tabela seguinte, onde se podem igualmente ver as correspondências entre as diferentes unidades de medida. INÍCIO

Força do Vento - Escala Beaufort

Força

Designação (portuguesa e inglesa)

Velocidade do vento

Pressão do vento

Km/h

Nós

Regime Kg/m2

Rajada Kg/m2

0
Calma (calm)
0-1
0-1
-
-
1
Aragens (light air)
1-5
1-3
0,1
-
2
Fraco (light breeze)
6-11
4-6
0,5
-
3
Bonançoso (gentle breeze)
12-19
7-10
2
-
4
Moderado (moderated breeze)
20-28
11-16
4
-
5
Fresco (fresh breeze)
29-38
17-21
6
-
6
Muito fresco (strong breeze)
39-49
22-27
10
16
7
Forte (moderated gale)
50-61
28-33
14
22
8
Muito forte (fresh gale)
62-74
34-40
18
28
9
Tempestuoso (strong gale)
75-88
41-47
28
40
10
Temporal (whole gale)
89-102
48-55
36
56
11
Temporal desfeito (storm)
103-117
56-63
65
100
12
Furacão (hurricane)
+118
+64
160
250
Texto adaptado da publicação de Rogério Castro e Silva, Arte Naval Moderna, 7ª Edição, Editorial da Marinha, Damaia 1973